Estética do Videoclipe

Eu não vejo clipes, eu vejo clipes. O que há para se ver em um clipe? Cantores e bandas cantando e tocando para uma câmera?


Eu não vejo clipes, eu vejo clipes. O que há para se ver em um clipe? Cantores e bandas cantando e tocando para uma câmera? Cenários dionisíacos, melancólicos, abstratos? Animações, musicais, encenações? Imagens aleatórias enquanto ouvimos uma melodia? Roteiros complexos que fazem cada palavra, refrão ou riff ganhar novos significados?

O que há para ser visto? Apenas um clipe, nada mais. Uma música e um vídeo, acessado em qualquer canto do mundo, visto por dezenas, centenas ou bilhões de vezes, nem sempre por completo, às vezes apenas os primeiros segundos por aqueles que não foram tocados pela sonoridade ou pela estética visual, às vezes visto repetidamente, como um mantra ecoando em looping nos aplicativos móveis.

Apenas um vídeo, efêmero ou grudento, mas que nos afeta, sempre nos afeta, preenchendo nossa experiência cotidiana, reformulando o que sabemos ou sentimos sobre música, a partir da experiência audiovisual de uma única música.

O que seria de mim e da música que habita em mim sem os clipes de Madonna e Michael Jackson? Like a prayer sem cruzes queimando, o beijo da artista no cristo negro em plena igreja e a sensação de estar vendo na tv algo proibido, um clipe, uma transgressão. Don’t Stop ‘Til You Get Enough sem o chroma key com imagens quase abstratas, como se estivéssemos dentro de um globo espelhado junto ao próprio Michael.

Pois sou assim, um pouco Bjork em câmera lenta em travellings contemplativos cantando cada estrofe de It’s oh so quiet antes de cada rompante musical e coreográfico de seu refrão editado sempre em cortes precisos no melhor estilo Hollywood anos 50. Um pouco Daft Punk, andando pelas ruas da cidade em Da Funk, com uma cabeça de cachorro e um aparelho de som no ombro. Um pouco Fat Boy Slim, performando Praise You em uma entrada de cinema.

Aos poucos fui descobrindo que não era apenas preenchido pelos artistas que encabeçam a autoria das músicas, mas também por cada diretor que imaginava as músicas que viviam em mim. Chris Cunningham é tão importante quanto Bjork, sendo All is Full of Love uma música sobre este todo que está ao nosso redor, mas também uma música sobre robótica, sobre construção, industrialização, inteligências artificiais, e sobre o amor que ali também está, mesmo que um pouco monocromático, mesmo que um pouco asséptico.

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